Diário

A generosidade é assassinada pela obrigação de oferecer

Hoje quero falar sobre a minha suposta “incapacidade de me expressar corretamente”. Ou, como os outros preferem chamar: o meu egoísmo crônico. Tivemos a festa de aniversário da minha filha no último domingo. Eu escolhi estar lá, escolhi participar, o que já é um esforço diplomático considerável. Tudo corria dentro da normalidade tediosa de uma

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A IA é mais confiável que gente?

Você se torna eternamente responsável por aquilo que cativas. Essa frase de O Pequeno Príncipe.Quando eu era mais nova, achava ela fofa. Hoje eu acho… preocupante.Primeiro porque “eternamente” é muito tempo. As pessoas mudam. E você não necessariamente quer continuar responsável por alguém que virou outra pessoa completamente diferente daquela que você conheceu. Às vezes

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O Enterro da Noiva

Tive um sonho que qualquer psicólogo adoraria destrinchar com um bloquinho de anotações. Eu havia sido convidada para um casamento intimista, desses chiques, conceituais, que acontecem em hotel caro e prometem experiências transformadoras. A cortesia para as convidadas era um dia inteiro de spa. Já começa aí o primeiro sinal de que esse sonho não

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A indústria cultural não quer que você pense. E agora ela nem precisa pedir.

Adorno escreveu, lá no meio do século XX, que a cultura tinha virado indústria. Que o cinema, a música, os livros, tudo aquilo que um dia foi linguagem de ruptura, estava se transformando em produto empacotado. A arte passou a seguir fórmulas. A beleza virou consumo. O espectador deixou de ser alguém que sente, e

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Walter Benjamin na era da inteligência artificial

Walter Benjamin escreveu, em 1935, que a obra de arte perdia sua aura na era da reprodutibilidade técnica. Bastava que uma imagem fosse copiada mil vezes, industrialmente, para que ela deixasse de ser única e, com isso, deixasse de carregar aquele silêncio sagrado de algo que só pode ser visto uma vez, num lugar específico,

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A obrigação de ser incrível: a vitrine, o bolo e o gosto chocho

Não é mais suficiente ser bom.Nem mesmo ótimo.Hoje, você precisa ser inesquecível. Precisa performar genialidade enquanto entrega entretenimento, precisa parecer leve enquanto carrega a pressão de mil olhos julgando sua relevância. Precisa ter ritmo de criador de conteúdo, consistência de executivo de alto desempenho e, de quebra, alguma originalidade para não parecer um pastiche do

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