Um novo tipo de Liberdade

O filme “O Século do Ego”, de Adam Curtis, lançado em 2002, oferece uma análise profunda sobre como a psicanálise se tornou uma ferramenta poderosa para influenciar as pessoas. Curtis explora como ela não apenas transformou o entendimento da mente humana, mas também se tornou uma arma nas mãos de governos e corporações para manipular os desejos e comportamentos das pessoas.

 
Ele argumenta que a psicanálise promoveu a ideia de que satisfazer os desejos egoístas das pessoas poderia levá-las à felicidade, dando início a uma cultura consumista que domina o mundo moderno.


A partir das ideias apresentadas no filme, fica claro que a manipulação psicológica se tornou uma estratégia comum tanto na política quanto no marketing. Governos e empresas aprenderam a explorar as emoções e instintos das pessoas para direcionar suas ações de acordo com seus interesses. Essa abordagem visa apelar para o subconsciente das pessoas, tornando-as mais suscetíveis a mensagens persuasivas e, consequentemente, mais controláveis.


Além disso, o filme destaca a visão de pensadores como Marcuse, Freud e Reich sobre a natureza humana e a sociedade. Enquanto Freud acreditava que o interior humano era um “inferno incontrolável de emoções”, Reich defendia a validade dessas emoções e criticava a repressão sexual. Essas ideias influenciaram Bernays, sobrinho de Freud, que as utilizou para criar estratégias de propaganda sofisticadas, como a Feira Mundial, para grandes corporações americanas.


O individualismo e a busca por uma identidade própria são aspectos-chave abordados no filme. As pessoas desejam pertencer a uma comunidade, mas ao mesmo tempo buscam se expressar de maneiras únicas.
Nosso vilão, o marketing, sacou isso.

 
Essa dualidade de desejo por pertencimento e autenticidade abriu caminho para a personalização e a segmentação de mercado, permitindo que as empresas adaptem suas estratégias de venda para atender às necessidades individuais dos consumidores.


No centro dessa análise está a ideia de que o consumismo oferece uma ilusão de controle para as pessoas, enquanto na realidade, as elites corporativas continuam a administrar a sociedade de acordo com seus próprios interesses.

 
Assim, o filme sugere que a psicanálise se tornou não apenas uma ferramenta de autoconhecimento, mas também um instrumento de poder nas mãos daqueles que buscam influenciar e controlar as massas.


Essa reflexão nos leva ao cerne da questão da liberdade individual em um contexto social permeado pela influência constante de empresas e governos.
A liberdade é um conceito complexo, que vai além da simples capacidade de fazer escolhas. Envolve também a noção de autonomia e autodeterminação, ou seja, a capacidade de tomar decisões livremente, sem coerção externa.


No entanto, quando somos constantemente alvo de influências persuasivas por parte de empresas e governos, nossa capacidade de tomar decisões de forma autônoma pode ser comprometida. Muitas vezes, somos expostos a mensagens publicitárias, campanhas políticas e estratégias de marketing que visam moldar nossos desejos e comportamentos de acordo com interesses externos.


Toda vez que vemos um post com um tema moral, carregado de emoções e está alinhado aos nossos valores pessoas, nos sentimos parte de um grupo. Perceba que nas redes, é preciso uma receita de poucos ingredientes para inflamar uma multidão.

 
Os algoritmos estão em constante mudança para melhorar a opinião do usuário para mantê-lo lá dentro das redes e mais engajado. Não é novidade o que vou te dizer: as redes sociais ganham dinheiro quando você fica dentro do app e o app muda como o seu cérebro funciona, como suas opiniões e como você consome.
No livro de Max Fisher, A Máquina do Caos, é mencionado um estudo que diz que as redes sociais estão causando uma mudança de comportamento não apenas online, mas do engajamento das pessoas da vida ‘analógica’.

 
Essa constante manipulação pode nos levar a agir de maneira impulsiva, irracional e, em última instância, contrária aos nossos verdadeiros interesses e valores.
A sensação de liberdade pode ser ilusória, uma vez que nossas escolhas são, em grande parte, determinadas por forças externas sobre as quais temos pouco controle.


Para garantir uma maior liberdade em nossas escolhas, é fundamental desenvolver um senso crítico e uma consciência sobre as influências que estamos sujeitos a sofrer.

 
Isso envolve questionar ativamente as mensagens que recebemos, analisar suas motivações e avaliar como elas se alinham com nossos valores e objetivos pessoais.


O Desapego é um passo para a liberdade.


Desapegar é um processo que requer tempo e principalmente disponibilidade. Quando você decide algo, precisa focar nesse objetivo.
Como traçar sua rota? Faça planos específicos para seis meses, cinco anos e dez anos.


Seus planos de seis meses serão mais detalhados, técnicos, pois são muito mais palpáveis.

 
Depois, pense em quem você quer ser daqui a cinco anos. Talvez você queira continuar na mesma empresa, talvez casar, ter filhos, ou até mesmo ser um nômade trabalhando na praia ou viajar pelo mundo.


Coloque no papel tudo o que você deseja realizar nesse período. Quanto dinheiro quer ter, onde quer estar, se quer se casar e com quem.

 
Nos seus planos mais distantes, pode pensar em aposentadoria, em uma casa maior… enfim.


Perceba que os planos para seis meses, um ano, cinco anos são específicos, enquanto os planos para dez, vinte anos são mais abstratos, porque eles vão ser moldados pelas suas escolhas mais imediatas, mas ainda assim, se manterão no topo da sua montanha.


O objetivo é criar um ponto final para sua jornada, como um destino final no GPS. Tudo bem fazer paradas no meio do caminho, mas o objetivo final é único. E está tudo bem ajustar os objetivos conforme os anos passam, pois nada é fixo.
Nossa única certeza é a inconstância.


Quando se prepara para subir uma montanha, fazemos um mapa da trilha e levamos o necessário na mochila. Às vezes, percebemos que não usamos tudo o que levamos, e está tudo certo se decidirmos descartar algo no meio do caminho. O importante é ter em mente o topo da montanha como objetivo final.


Um exemplo pessoal: sempre soube que queria trabalhar com arte, escrever, fazer filmes e desenhar. Após realizar esses sonhos, percebi que ainda não era o topo da montanha. Então, reajustei minha rota e voltei a escrever, entrei em um curso de teatro. E agora sei que, não importa o desvio, preciso continuar subindo a montanha, em direção ao que realmente me faz feliz.


Sei o que quero daqui a 20 anos, 10 anos, 5 anos. Ainda não sei exatamente como vou chegar lá, mas sei que vou ajustando o caminho conforme avanço. E é isso que quero que você pense também: qual rota vai te deixar mais feliz?
Felicidade e tempo são recursos preciosos que não podem ser comprados nem postergados. Muitas vezes, nos perdemos na busca por objetivos materiais, pensando que alcançar determinados marcos na vida nos trará felicidade, mas isso nem sempre é verdade.

 
O que vai te deixar feliz é algo que você quer realmente ou é algo que foi criado pela sociedade e pelas empresas para que você acredite que as quer?
Já mencionei que odeio dirigir. Não tem Porsche ou BMW que me faça querer ter um carro desses porque vai contra o que eu realmente quero (uma vida mais saudável, com mais caminhadas, menos emissões de carbono). Eu sei quais seus meus valores lá no topo da minha montanha e que um carro desses não está alinhado com meu objetivo.


Eu vivo agora algo quero para meu futuro. Aqui não estou falando de papo de coach que diz ‘reprograme a sua mente’. Já caí nessa conversa também, mas logo vi que era uma furada quando ouvi que precisava ‘pensar como um milionário para atrair dinheiro’.


‘Pensar como um milionário’ pode te fazer entrar em dívidas massivas. Quando eu disse que meu milionário se preocupava com o mundo, andava de modais, tinha tempo para ir ao cinema no meio da tarde quase fui massacrada.

 
– Você precisa pensar em carrões, em mansões.

 – Mas eu não desejo ter um carrão ou uma mansão. Quero uma casa confortável que possa cuidar dela sozinha e viajar o mundo quando quiser.

– Milionário não pensa assim.

– O meu Milionário pensa.


É um horror. Estamos cada vez mais individualistas, mas fechados em bolhas ditados por pensamentos de manada.


A verdadeira felicidade reside nos momentos presentes, nas experiências compartilhadas com aqueles que amamos, nas pequenas alegrias do dia a dia.
Postergar a busca pela felicidade para o futuro é negar a si mesmo a oportunidade de ser feliz agora, no momento presente. É importante aprender a valorizar cada momento e a encontrar alegria nas coisas simples da vida, pois são esses momentos que verdadeiramente enriquecem nossa jornada.


Uma nova forma de liberdade está emergindo: não se deixar influenciar tornou-se o verdadeiro conceito de liberdade nos dias atuais.

 
Em um mundo onde somos constantemente bombardeados por opiniões, padrões e expectativas externas, a capacidade de manter-se fiel a si mesmo, sem ser moldado pelos outros, tornou-se uma forma poderosa de autonomia.


Essa liberdade não se trata apenas de rejeitar influências negativas, mas também de cultivar uma consciência própria, questionando as informações que recebemos e fazendo escolhas alinhadas com nossos valores e princípios.

 
Ao exercer essa liberdade, somos capazes de criar nossos próprios caminhos e viver de acordo com nossa verdade interior, em vez de seguir cegamente as expectativas impostas pela sociedade.


Espero que tenha conseguido abrir os seus olhos para que você possa reajustar a sua rota, a construir um pensamento crítico toda vez que alguém te oferece uma ‘promoção irresistível’.

 
Questione-se sempre em relação a tudo: ao trabalho, aos amigos, família, as nossas amarras em relação ao olhar do outro.

 
Perceba o que está te impedido de ser uma pessoa mais livre e feliz. É algo que você pode deixar de lado e seguir em frente de maneira mais leve?

 
O seu maior poder é o de falar “não”.


Então, desapegue!

Symbolic image of freedom with open handcuffs against a bright blue sky.

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