Vivy Corral

O Enterro da Noiva

Tive um sonho que qualquer psicólogo adoraria destrinchar com um bloquinho de anotações. Eu havia sido convidada para um casamento intimista, desses chiques, conceituais, que acontecem em hotel caro e prometem experiências transformadoras. A cortesia para as convidadas era um dia inteiro de spa. Já começa aí o primeiro sinal de que esse sonho não

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Bora descansar?

Existe algo profundamente suspeito no fato da gente ter tanto medo de ficar em casa. Não medo físico — medo simbólico. Medo do silêncio, do tempo solto, da ausência de testemunhas. A ideia de passar uma noite sem compromisso, sem produção, sem registro público parece quase um fracasso moral. Como se o valor da vida

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A indústria cultural não quer que você pense. E agora ela nem precisa pedir.

Adorno escreveu, lá no meio do século XX, que a cultura tinha virado indústria. Que o cinema, a música, os livros, tudo aquilo que um dia foi linguagem de ruptura, estava se transformando em produto empacotado. A arte passou a seguir fórmulas. A beleza virou consumo. O espectador deixou de ser alguém que sente, e

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Walter Benjamin na era da inteligência artificial

Walter Benjamin escreveu, em 1935, que a obra de arte perdia sua aura na era da reprodutibilidade técnica. Bastava que uma imagem fosse copiada mil vezes, industrialmente, para que ela deixasse de ser única e, com isso, deixasse de carregar aquele silêncio sagrado de algo que só pode ser visto uma vez, num lugar específico,

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