Atualizando o Pensamento da Monografia – Parte 1
(O que escrevi em 2013 – A Tese Central)
Em minha monografia de 2013, comecei com uma provocação: a ausência. Utilizei o filme Dogville (2003), de Lars Von Trier, como um estudo de caso reverso. Ao remover as paredes, portas e toda a fisicalidade de uma cidade, substituindo-a por marcações de giz no chão, Von Trier não nos liberta; ele nos aprisiona. A ausência do cenário nos força a um trabalho mental constante e incômodo, provando a tese central do meu trabalho: a cenografia não é um mero fundo, mas um componente ativo da nossa experiência cinematográfica. Nós, como espectadores, nos acostumamos tanto a ter o mundo imaginado para nós (a porta, a janela, o arbusto) que sua ausência se torna insuportável. Argumentei que é justamente nesse vazio que percebemos a importância fundamental do espaço construído, que carrega símbolos, define relações e, silenciosamente, dita as regras do universo diegético.
(Atualização do Pensamento – Visão 2025)
Uma década depois, essa ideia não apenas se mantém, como se tornou ainda mais relevante na era do “world-building”. Hoje, o público não consome apenas uma história; ele consome um universo. Pense na arquitetura brutalista e desértica de Duna (2021), na simetria obsessiva e nostálgica de Wes Anderson, ou nos corredores assépticos e labirínticos da Lumon em Ruptura (2022). A cenografia deixou de ser um “coadjuvante mudo” para se tornar um dos principais atrativos de marketing.
A provocação de Dogville encontrou um eco inesperado na tecnologia. Os cenários virtuais (The Volume/StageCraft), usados em produções como O Mandaloriano, são o oposto do palco de giz de Von Trier: uma tentativa de criar uma realidade total e imersiva para o ator. No entanto, o princípio é o mesmo: o controle absoluto sobre o ambiente para manipular a percepção. O que em 2013 era uma análise sobre a importância do espaço, hoje é uma conversa sobre a linha cada vez mais tênue entre o espaço físico e o digital, e como ambos são projetados para nos fazer sentir algo específico, seja conforto, opressão ou admiração.
