Nascido Para Escrever, Forçado a Trabalhar

Esses dias, vi uma camiseta que dizia: “Nascido para escrever, forçado a trabalhar.” Quase comprei. Porque, no meu caso, isso é muito real.

Eu ainda não ganho dinheiro suficiente com a minha escrita. Então, preciso trabalhar em outra profissão. Felizmente, consegui um trabalho flexível, que me permite encaixar algumas horas para escrever e cuidar da minha filha.

Mas, nos últimos meses, essa flexibilidade foi engolida por uma avalanche de trabalho. E, se por um lado isso é ótimo – porque eu quero comprar minha casa própria e, segundo minhas contas, talvez consiga em seis ou sete anos –, por outro, tem um preço alto.

Eu quase não tenho tempo para escrever.

E, sem tempo para escrever, minha energia vital parece drenada.

Não quero viver apenas para trabalhar. Não quero que minha vida seja só um ciclo de tarefas e boletos. Quando passo muito tempo sem escrever, sinto que me torno uma versão esgotada de mim mesma. Minhas inspirações desaparecem. Meu desejo de aprender coisas novas some. Minha força vital se esvai.

Minha geração foi criada para acreditar que o certo é trabalhar 30 anos em uma empresa, se aposentar e, só então, viver. Mas essa mentalidade me levou a uma depressão profunda. Fiquei doente. Precisei de remédios, terapia. E, mesmo que hoje minha vida financeira não seja exatamente estável, sinto que minha saúde mental melhorou.

Ainda assim, me pergunto: o que é o trabalho, afinal?

Trabalho deveria ser algo que nos dá propósito, mas, para a maioria das pessoas, é apenas uma obrigação para sobreviver. Comer, morar, vestir. O básico.

E, no meu caso, a ironia é que trabalho porque quero, um dia, não precisar mais trabalhar.

Meu sonho não é um carro de luxo ou uma casa gigantesca. Meu sonho é poder ficar quietinha no meu canto, sem que ninguém me visite.

E talvez seja isso que mais me incomoda: o tempo que passo trabalhando é um tempo que eu perco. Um dia que não volta.

Claro, sou grata por ter conseguido um trabalho que paga minhas contas. Mas isso não muda o fato de que trabalhar não me faz feliz.

E eu sei.

 

Não dá para entender.

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