Em 2025 eu praticamente abandonei as séries. Tenho várias começadas desde 2023, todas paradas, todas jurando para mim mesma que um dia eu termino. Não terminei. O que eu fiz, na verdade, foi muito mais sério: resolvi revisitar minha criança interior. E quando isso acontece, não tem discussão. Voltei para o anime.
Anime é meu ponto fraco assumido. Desde os bem ruins, aqueles shoujo meio vergonha alheia, histórias completamente descartáveis que a gente assiste sabendo que são ruins, até narrativas tão bem construídas que fazem você pular do sofá e sair avisando qualquer ser humano disponível que essa história precisa ser assistida imediatamente. Em 2025, esse papel foi totalmente de Boku no Hero.
Eu vibrei com Boku no Hero como se fosse a primeira vez que eu assistia um shonen na vida. A história do All Might, do Deku, do Bakugo, aquele tipo de personagem que você ama, odeia, ama de novo e no fim percebe que está emocionalmente envolvida demais. Fazia muito tempo que um anime não conseguia me tirar do celular. Daquele tipo de distração automática. Teve momentos em que eu pensei: isso aqui não é para tela pequena. Isso aqui merece respeito. Tablet. Depois TV. Depois sala. Para eu sentar na sala e assistir algo com atenção total, é porque a coisa é séria.
Boku no Hero entrou fácil na minha lista pessoal de animes que me alinharam com a história. Eu sou fã declarada de shonen desde Cavaleiros do Zodíaco, Yu Yu Hakusho, essa escola inteira de narrativa que aposta em luta, jornada, esforço e propósito. Mesmo quando as lutas são longas e cansativas em alguns animes, eu gosto de assistir. Em Boku no Hero, tudo parece essencial. Nada sobra. Tudo empurra a história para frente.
O Diário de Apotecária me acompanhou por seis meses e foi um presente. De janeiro a junho, aquela sensação deliciosa de ter uma série constante, bem escrita, cheia de intrigas políticas, mistérios e de uma atmosfera que não se explica direito, mas funciona. Não é sobre pancadaria, é sobre inteligência, tensão e leitura de mundo. Uma delicadeza rara.
Spy x Family entrou na categoria que eu descobri que agora chamam de comfort anime. Aquele anime gostoso, aconchegante, que você assiste para ficar bem. Fiquei genuinamente triste quando acabou rápido demais. 13 episódios é uma afronta para a minha mente ocidental, que ainda acredita que deveria existir um episódio novo toda semana para sempre.
Assisti o remake Ranma 1/2 com outros olhos. Eu já tinha lido o mangá e, quando assisti pela primeira vez, não tinha como acompanhar tão bem por conta das limitações logísticas (tinha que encomendar os volumes do Japão e esperar alguém traduzir em alguma reunião de amigos otakus). Revendo agora, fico feliz que não colocaram aqueles personagens extras criados só para forçar uma comicidade desnecessária, porque a história já era estranha e cômica o suficiente.
Claro que Demon Slayer não ficou de fora. Foi ao cinema, foi indicado ao Globo de Ouro e confirmou o que todo mundo já sabia. É um anime absurdamente bem feito. Sempre assisti Demon Slayer pensando “isso aqui é bonito demais”, e agora está oficialmente reconhecido.
2025 foi o ano em que eu quase não vi séries e vi anime como se fosse minha única fonte de entretenimento. Então, fica aqui meu sincero agradecimento ao Japão por tanto anime bom, por tantas histórias que ainda conseguem me tirar do automático e me lembrar por que eu amo narrativas.
